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Angitec participa de estudo para tratamento do COVID-19 em parceria com UFMG e FAPEMIG

Atualizado: 1 de dez. de 2020

Medicamento originalmente desenvolvido por pesquisadores brasileiros para tratar

pressão alta terá sua eficácia avaliada em pacientes graves, em estudo internacional



Em Julho vai começar a ser testado um tratamento experimental para pessoas hospitalizadas com COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus que já resultou em mais de 350.000 mortes, 25.000 delas no Brasil. A primeira fase do estudo clínico, com duração prevista de dois meses, vai testar a eficácia da angiotensina 1-7, substância originalmente desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para tratar hipertensão arterial. O protocolo é parte de uma pesquisa internacional em parceria com a Bélgica. A participação brasileira recebeu aval da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.


A comunidade científica já sabe que a angiotensina 1-7 tem importância chave em mecanismos atingidos pelo novo vírus. Por isso, os pesquisadores à frente do estudo acreditam que ela pode reverter danos pulmonares deflagrados pela infecção, além de combater complicações cardiovasculares e neurológicas, entre outras. Se a hipótese for confirmada, a substância poderá ser utilizada pelos hospitais como tratamento adicional.



COMO A SUBSTÂNCIA AGE


O novo medicamento é uma “cópia” feita em laboratório de um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, a angiotensina 1-7. Presente em diversos órgãos, a substância tem efeito protetor, por suas propriedades anti-inflamatórias e anti-hipertensivas, além de prevenir arritmias e tromboses. A produção da angiotensina 1-7 depende de uma enzima conhecida como ECA 2 (sigla para enzima conversora de angiotensina 2) – e é aqui que a história do medicamento se cruza com a pandemia.


A ECA 2 está no centro da nova doença, pois atua como receptora do coronavírus nas células pulmonares. Ou seja, é graças a essa enzima que o vírus consegue invadir as células e se alastrar pelos pulmões, debilitando o sistema respiratório. Uma vez “sequestrada” pelo vírus, a ECA 2 perde sua função natural, que é converter uma substância danosa ao organismo – a angiotensina II –, em angiotensina 1-7, de efeito protetor. Ao repor a angiotensina 1-7, o tratamento experimental buscará compensar esse desequilíbrio, e assim, ajudar a combater a insuficiência respiratória e outros sintomas. “Estamos esperançosos. No modelo animal, a angiotensina 1-7 mostrou-se muito eficiente para resolver a inflamação pulmonar”, pondera o médico Robson dos Santos, coordenador do N-Biofar, laboratório da UFMG que desenvolveu o remédio, e CEO da Angitec, startup de pesquisa e desenvolvimento à frente do protocolo no Brasil.


Além de ser abundante nas células pulmonares, a ECA 2 faz parte do revestimento de vasos sanguíneos que irrigam coração, rins, intestino e outros órgãos. A enzima também está presente nos neurônios e nas células do sistema imunológico. “Onde a ECA 2 estiver, o vírus pode penetrar”, explica Robson dos Santos. Por isso, a doença vem se manifestando com sintomas tão variados, muito além de uma gripe. “Hoje há a hipótese de que a COVID-19 seja uma doença mais vascular que pulmonar, embora a porta de entrada sejam as vias respiratórias”, diz o pesquisador. “A pessoa pode inclusive morrer de infarto provocado pela infecção”, afirma. Isso explica por que fazem parte do grupo de risco

pessoas com hipertensão e diabetes, doenças que afetam a saúde vascular.

O PROTOCOLO


A primeira fase do ensaio clínico, no Brasil, será realizada em Belo Horizonte, no hospital Mater Dei e na rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, com cerca de 60 pacientes, mediante consentimento dos voluntários ou da família. Serão selecionadas pessoas maiores de 18 anos que estejam internadas, respirando com ajuda de aparelhos e com previsão de permanecer mais de 48 horas na UTI. Metade receberá a substância ativa, por via endovenosa, e a outra metade, placebo, durante sete dias.


Como o medicamento é feito a partir de uma substância produzida pelo próprio organismo, espera-se não haver efeitos colaterais que ofereçam riscos à saúde (assim como não houve em testes da angiotensina 1-7 com grávidas hipertensas e doentes de câncer). “A segurança da angiotensina 1-7 está bem documentada”, pondera Robson dos Santos. Nenhum outro tratamento será suspenso para aplicação da substância.


Se os resultados forem satisfatórios para reduzir a gravidade dos sintomas, o tempo de ventilação mecânica e a permanência na UTI, a pesquisa irá adiante com um número maior de pacientes no Brasil e em outros países, num estudo multicêntrico. No segundo semestre, pretende-se testar o uso da substância por via oral em pacientes com sintomas leves, na tentativa de evitar que evoluam para quadros graves.


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